Arte com Dacira | Vamos conhecer um pouco a Flávia Taiano, artista visual de Tupã/ SP.

 

 

Parnaiba 17/11/2016

Postado por Marcello Silva Categoria ArteArte com DaciraArte VisualColunas,EsculturaFlávia Taiano

 

Falar de Arte, é sempre algo maravilhoso! Hoje vamos conhecer um pouco sobre uma mulher linda por fora e por dentro, onde transborda bondade, simpatia, cores e formas, a artista Flávia Taiano, natural de Tupã, cidade no interior de São Paulo, tem 50 anos de idade, sua vida e trabalho está entre Salvador e Florianópolis, onde reside atualmente. 

 

Desde pequena a artista já tinha fascinação por esse mundo artístico, e criava desde então. Curso voltado a arte, nunca exerceu, também diante da facilidade em criar, nunca lhe foi preciso, suas habilidades e criatividades sempre foram além, e assim atraiam olhares e admiradores por onde suas obras passavam, "Nunca estudei arte, mas sempre esteve em mim" diz Flávia.

 

A artista aprendeu num atelier de cerâmica a trabalhar com argila, "As esculturas me apaixonaram." Ela exerce com eficácia, fazendo esculturas de argila com tema meninas, são em miniaturas. Seu trabalho é bastante amplo, onde faz pinturas, desenhos e o que sua imaginação mandar. A Artista transborda de felicidade, e adora o que faz, seu trabalho tem lados positivos, um deles é o contato com pessoas, conhecer pessoas... Se considera uma mulher abençoada.

 

Participou de duas exposições individuais, duas exposições em Salvador, no movimento Outubro Rosa, "Foi uma experiência deliciosa." conclui a artista.

 

Flávia diz que suas inspirações são bem frequentes, mas que não sabe de onde elas vem. Ela agradece a ajuda da argila e dessa inspiração que a acompanha.

 

Atualmente se encontra com um atelier em Florianópolis, e com um ótimo espaço onde realiza suas atividades ligado a arte, em Salvador também. Podem encontrar a artista nas redes sociais.

 

Dacira Brandão.

Exposição "Feminino" exibida no site A Estrebaria - Artes (aestrebariaartes.wix.com/aestrebaria) no período de 29 de agosto a 29 de setembro 2015.

 

 

  • Tuas obras valorizam o nu feminino, mas não é apenas nas formas, é o ser feminino como algo sagrado, natural, a alma da mulher em toda sua mística. Como a artista vê a mulher retratada por outros artistas em outros seguimentos artísticos nos dias atuais?

 

Um motivo para expressar delicadeza, suavidade.  A nudez das  minhas meninas é absolutamente natural. Em sua curta vida, ninguém as ensinou o que é pecado.   Gosto de ver os milhões de possibilidades nesse tema; é sempre interessante. Minhas maiores referências são os artistas Modernistas: Di Cavalcanti, Modigliani, Dali...meus preferidos.Adoro os nus em Art Nouveau.

 

  • A influência de Salvador Dali em suas obras não é sutil, assim como em Girafas em Chamas e Vênus de Milo com Gavetas, algumas de suas obras possuem esse simbolismo que nos faz perguntar: o que era para estar nessas gavetas vazias?

 

Na primeira vez que vi pessoalmente as esculturas de Dali o que me interessou não  foram as gavetas abertas e expostas; ao contrário, o que me instiga são as gavetas fechadas em segredo.

 

  • As meninas caracóis, caramujos, crisálida impressionam pela beleza, e também parecem um desejo, seria o desejo de renascer?

 

Essas conchas me fazem sonhar. Eu as imagino como um caranguejo eremita, que encontra uma concha na praia para se proteger.

As crisálidas representam a vontade de uma grande renovação, desejo de reinventar-me rasgando as cápsulas  da estagnação para buscar voos maiores. Esse é o desejo e quero compartilhar com meu público e com minhas meninas aladas.

 

  • Suas meninas, na maior parte em poses lânguidas, descansam como felinos ao sol, é uma tentativa da escultora de poupar suas personagens da cansativa imobilidade? A ligação afetiva da criadora chega a esse ponto?

 

Nunca pensei em poupá-las da imobilidade, mas seria uma boa idéia. Não nego que a ligação afetiva é imensa, enquanto secam, ao sentir a argila fria, cubro-as com paninho para dormirem bem.

 

  • Teu universo feminino tem fantasia, como disse: é sereno, delicado, mas também há bondade, respeito a natureza, simplicidade, pureza e rico em criatividade. O que as mulheres precisam fazer para não perder essas características tão delas?

 

Sou Vegana, para mim tudo o que move é sagrado, fico feliz por saber que isso se manifesta em minha arte.

Também gostaria de reunir a todo tempo, as características que descreveu. Diferentes das minhas meninas que são diáfanas, a mãe delas não vive no Olimpo.Apenas nos momentos de trabalho com minhas esculturas desfruto dessa deliciosa leveza, sinto um  pouco do dom divino.

 

  • Descreva como é o nascimento de uma obra, ela nasce na sua imaginação ou só depois que sai pronta do forno?

 

A ideia aparece gritando, é urgente. Se estou em casa corro para realizá-la ou desenho no meu caderno de folhas coloridas que levo para onde vou. O ponto máximo no processo é quando está ainda molhada. Nesse momento ela e eu somos uma coisa só. Sinto a barbotina (argila com água usada para colar as partes da peça) correndo nas minhas veias, é amor profundo. Esse é o nascimento para mim. Adoro ver a peça pronta saindo do forno, mas meu auge é o momento da execução da peça quando ela toma forma. Nesse instante não vejo os defeitos, puro amor.

 

  • Você largou a advocacia para se dedicar a arte, fazer o que se gosta é libertador?

 

Deixei advocacia por não me sentir feliz com toda a carga de realidade e injustiças.  Trabalhei com direito, mas não fazia meus olhos brilharem. Preferi ser feliz e fiz minhas escolhas.

 

  • A maioria dos escultores tem uma predileção pela forma humana, você já começou criando as meninas ou é algo que foi desenvolvendo com o tempo?

 

Sempre pintei, meus quadros dividem-se entre natureza e mulheres nuas.  Comecei com argila mais recentemente e já  fazendo mulheres, elas foram se despindo aos poucos, conforme eu aperfeiçoava a técnica.

 

  • Você diz que reserva metade do seu tempo para a arte, sua criatividade deve trabalhar a mil por hora. Usa de alguma técnica para frear a mente na hora em que não está trabalhando?

 

Sou extremamente focada no meu trabalho, porém sou aérea em coisas menos interessantes. Ando na ponta dos pés e mal toco a terra. Gosto de ler e leio muito, livros de história do Brasil ou livros sobre arte. Trazem para perto, mesmo que por pouco tempo, esse chão que é sempre estranho pra mim.

 

  • O amor a natureza, com certeza é uma de suas fontes de inspiração. Por que alguma pessoa tem tanta dificuldade em se integrar, ou pelo menos respeitar um pouco mais essa mãe tão boa?

 

Tem gente que mata uma abelha por nada e fala que é só uma abelha. Se parece tão fácil, por que não criam uma? É incrível como são baratas as coisas mais importantes da vida, a argila, por exemplo: depois de passar toda a eternidade sendo parte de Gaia, ela chega à minha casa em um saco plástico. Pouco valorizada como tudo o que é realmente sagrado. Trabalho num terraço, o dia está limpo e o mar agitado. O vento sul sopra sobre todos nós.Corajosa, ela infla o peito como uma vela e parte flutuando ao vento frio.

 

  • Fadas, bailarinas, dragões, caracóis, tuas meninas fazem parte de séries femininas ou mundos encantados, tem algo que ainda não tenha explorado nesses universos, mas que está estudando criar?

 

Acho que as opções são ilimitadas. Agora estou criando para uma exposição minha em Niterói que inicia dia 16 de setembro e dura 2 meses. No Centro Cultural Abrigo de Bondes. Mergulhei nesse mundo de crisálidas, asas e metamorfose. Estou respirando isso agora, lendo poesias, vendo vídeos, totalmente focada. Tenho certeza que depois disso, mil coisas irão acontecer. Uma menina puxa a outra.

 

  • Como pintora e escultora, talvez você não saiba dizer qual é a sua arte favorita, mas poderia dizer qual seria a mais terapêutica?

 

Com certeza a argila é mais terapêutica, ela tem propriedades relaxantes seu toque é viciante. É delicioso tocá-la. Incríveis são as possibilidades, a quantidade de coisas em que ela pode se transformar.

 

  • O artista é quase um eremita, que prefere criar o próprio mundo do que conviver as contradições dos outros. Até que ponto isso é verdade?

 

Eu sou falante, converso com todo mundo na rua, mas quando estou criando eu não vejo nada ao meu redor além do meu trabalho. Nessa produção esqueço de coisas básicas, não vejo as horas passarem. Não paro de trabalhar enquanto não termino. Muitas vezes são 12 horas de trabalho ininterrupto que eu não vejo passar. Quando termino sinto as dores do excesso do trabalho. Mas paixão é paixão. Nesse momento eu sou um eremita.

 

  • Você é daquelas artistas que precisa colocar as ideias no papel para não perdê-las depois ou prefere já ir pondo a mão na massa? (na argila, no caso).

 

Se tenho uma ideia, mesmo que pequena, eu registro. Se estou com a argila na minha frente, é delicioso trabalhá-la imediatamente.

 

 

 

Flávia Taiano

Partecipaçao da Flavia Taiano no catalogo coleção porcelanato Eliane
              -Folha de Niterói-
 Expõsiçao Centro Cultural Abrigo de Bondes Set/Out 2015